A Influência do espiritismo no mundo.

INTRODUÇÃO

O Espiritismo se tornará uma crença comum? Se isto for verdade, o que acontecerá com a maioria das religiões? Extinguir-se-ão? Não é uma forma de preconceito pensar o Espiritismo como uma crença comum de todas as pessoas?

CONCEITO

O Espiritismo é uma doutrina fundada sobre a crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. A doutrina pressupõe um conjunto de princípios. Os princípios são as molas propulsoras de qualquer Filosofia, Ciência ou Religião. Os princípios espíritas diferem sobremaneira de outros princípios, principalmente dos das doutrinas espiritualistas. Nesse sentido, o Espiritismo difere das religiões pela ausência total de misticismo, não invocando revelações nem o sobrenatural. O Espiritismo só admite fatos experimentais, com as deduções que deles se desprendem. Também se distingue da Metafísica ao repelir todo o raciocínio a priori e toda a solução puramente imaginativa.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O Espiritismo formou-se, lentamente, através do tempo. Allan Kardec, com o auxílio dos Espíritos superiores, teve apenas o trabalho de organizar esses conhecimentos esparsos, dando-lhes uma terminologia própria. O druidismo, religião dos celtas da antiguidade, tão bem divulgado por Léon Denis, em suas diversas obras, já acenava para a grandiosidade das idéias espíritas. Sócrates e Platão, considerados os precursores do cristianismo e do Espiritismo, divulgaram amplamente as noções de imortalidade da alma e de reencarnação, princípios fundamentais da Doutrina dos Espíritos.

A criação do termo Espiritismo, por Allan Kardec, serve simplesmente para definir um campo de conhecimento, diferenciando-o das outras formas de espiritualismo. Aplica-se a regra escolástica segundo a qual a definição se faz “per genus proximum et differentiam specificam” (pelo gênero próximo e diferença específica).

Para chegar a essa definição do Espiritismo, Allan Kardec estudou os fenômenos mediúnicos segundo o método teórico-experimental, já posto em prática pela maioria das ciências. Baseado na observação dos fatos mediúnicos, pode oferecer um caráter universalista à nova doutrina que acabava de ser firmar.

DOUTRINA E NÃO RELIGIÃO

O Espiritismo não é de uma pessoa, de um partido ou de uma instituição. Ele é dos Espíritos, que acharam por bem auxiliar o avanço espiritual das criaturas aqui neste Planeta de provas e expiações. Assim, o primeiro ponto a enfatizar é o seu caráter impessoal e não religioso. Quer dizer, o Espiritismo não é uma religião organizada, em que há sacramentos, rituais, hierarquia de santos etc. Em sua codificação, Allan kardec deixou claro que ele seria mais bem definido como uma filosofia científica de conseqüências morais. Ao mesmo tempo, abrangeria todos os campos do conhecimento, emprestando-lhes a sua contribuição moral e espiritual.

CARÁTER UNIVERSALISTA

Os princípios fundamentais do Espiritismo, tais como a imortalidade da alma, a reencarnação e a evolução do espírito imortal, não sendo de uma pessoa e nem de um partido, adquirem caráter universal.

Para que o conteúdo doutrinário não ficasse restrito à autoridade de um único Espírito ou de um único médium, Kardec submetia toda a manifestação mediúnica ao crivo da razão. Apoiando-se no método teórico-experimental das ciências naturais, cruzava as diversas respostas dadas por diversos Espíritos a diversos médiuns, espalhados pelo mundo inteiro. Assim sendo, dizia que “a única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”. (Kardec, 1984, p. 11 a 18)

O TRABALHO DA CODIFICAÇÃO

A revelação espírita partiu, inicialmente, dos Espíritos superiores. O ser humano teve apenas o trabalho de organizá-la de modo claro, a fim de que todos pudessem inteirar-se de seu conteúdo. O Espiritismo veio na época certa; sua tarefa principal era lançar luz sobre o edifício carcomido pela fé dogmática. Era preciso dar-lhe uma pitada de razão, por isso a fé raciocinada.

Para o êxito da codificação, Allan Kardec recebeu ensinamentos de Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luis, Sócrates, Platão etc. Esses Espíritos luminares fizeram-nos tomar consciência de que, além do mundo material, há um outro que o transcende, ou seja, o mundo espiritual. O fato de ter aparecido em vários pontos da Terra, mostra a grandeza do Criador. Se dependesse apenas de um homem, haveria dúvida por parte de muitos. Mas, como a comunicação foi feita através de diversos médiuns, espalhados pelo mundo, todos puderam ter acesso à informação desses Espíritos. Assim, o Espiritismo é como a verdade, que não é monopólio de ninguém, mas um patrimônio comum da inteligência.

ESPIRITISMO SERÁ UMA CRENÇA GERAL

Pergunta 798. O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

Resposta. “Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na Natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.” (Kardec, 1995)

As idéias não se transformam de súbito. Quando uma idéia tem que se impor ao mundo, tanto partidários como oposicionistas concorrem para tal fim. Ao contrário, quando uma idéia, que já cumpriu sua missão, tem que desaparecer, para dar passagem a outra, destinada a substituí-la, as defesas nada mais fazem do fortalecer essa nova idéia. O Espiritismo, sendo lei, impõe-se por si mesmo. (Aguarod, 1976)

O ESPIRITISMO COMO LEI

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, é uma lei, que expressa o bem e a verdade. Sendo uma lei, há um caráter pragmático de execução. Como lei, independe dos homens, porque não são eles que a construíram. Ela é uma dádiva de Deus, o Absoluto, causa primária de todas as coisas. Os princípios codificados do Espiritismo são universais e, mais tempo ou menos tempo, toda a população estará fazendo uso de tais ensinamentos. A imposição é natural e não através da violência. Isso não quer dizer que todos se tornaram espíritas, o que é impossível, mas que a luz do Espiritismo banhará todo credo, todas pessoas, toda instituição. Não é de ninguém, mas de todos.

ADEPTOS CONSCIENTES E EDUCAÇÃO INDIVIDUAL

O Espiritismo, não resta dúvida, deverá firmar-se por si mesmo. Se houver adeptos conscientes, o trabalho será menos penoso; se não houver, demorará um pouco mais, contudo a meta do progresso será cumprida.

O Espiritismo não prega a modificação radical da sociedade. Procura, sim, modificar o indivíduo. Por que? Porque a sociedade só se modifica se o sujeito se modificar. Observe a questão da violência. O mundo é violento, porque cada um de nós o é. Se cada um fosse realmente humilde e caridoso, o mundo seria mais fraterno e menos egoísta.

O ESPIRITISMO NÃO FAZ PROSELITISMO

O Espiritismo não veio para destruir as religiões, nem tampouco tirar o crente de seu credo. Sua função é iluminá-las, com o clarão da verdade, no sentido de afastá-las do erro, do dogmatismo e do fanatismo. Depreende-se, daí, que é um trabalho de longo prazo, porque nada se muda da noite para o dia. Um determinado comportamento, repetido anos após anos, transforma-se numa segunda natureza; faz parte de nós e não nos abandona tão facilmente. Observe: quantas vezes não propomos banir um determinado vício? No início, até que logramos êxito, mas depois de algum tempo, tudo volta como era antes.

O AVANÇO DA IDÉIA ESPÍRITA

A influência do Espiritismo é silenciosa; ela penetra no âmago do sujeito. Como o Espiritismo não é uma religião, nem tampouco pertence a este ou aquele grupo social, ele tem mais facilidade de expansão. Depende apenas de a razão dizer sim ou não. Contudo, quando os Espíritos superiores querem que uma idéia avance no seio da sociedade, eles saberão escolher as pessoas certas para tal finalidade.

A expansão do Espiritismo é um fato. Quantos não são os adeptos de outras religiões que lêem os livros psicografados por Francisco Candido Xavier? Isso mostra que os ensinamentos espíritas estão sendo divulgados, mesmo sem o sensacionalismo da mídia, porque, sendo universal, não precisa apoiar-se em nada.

O FUTURO DO ESPIRITISMO

Um filósofo do outro mundo responde à seguinte pergunta: Qual será o futuro do Espiritismo e que lugar ocupará no mundo? “Não só ocupará um lugar: encherá o mundo inteiro. Desde que o homem teve inteligência, Deus lhe inspirou o Espiritismo, e, de época em época, enviou à Terra Espíritos adiantados, que ensaiaram em sua natureza corpórea a influência do Espiritismo. Que era o cristianismo há dezoito séculos senão o Espiritismo? Só o nome diferia; o pensamento era o mesmo; apenas o homem, com seu livre-arbítrio, desnaturou a obra de Deus… Em breve, todos os povos serão espíritas, porque aí está a universalidade de todas as crenças… Avança sem abalos e sem revolução. Nada vem destruir, nada derrubar na organização social. Vem a tudo renovar… Compreendendo que o operário é da mesma essência que a sua, o patrão introduzirá leis suaves e sábias nas suas relações comerciais… Quando pela manifestação espírita, o criminoso puder prognosticar a sorte que o espera, recuará ante a idéia do crime…Que importa aquilo que produz o bem, desde que o bem seja produzido?” (Kardec, 1863, p. 193 e 194.

7. CONCLUSÕES

O futuro da humanidade repousará em torno de um eixo comum, ou seja, a verdade explicada pelo Espiritismo. É por esta razão que não devemos nos preocupar com os atos da vida de Cristo ou mesmo com as suas profecias, mas unicamente pautarmos a nossa vida segundo os ensinamentos morais por Ele proferidos.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
AGUAROD, Angel. Grandes e Pequenos Problemas. Pelo seu guia espiritual. 3. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1976.

Fonte: www.ceismael.com.br

O que é “DOUTRINA ESPÍRITA” ou “ESPIRITISMO”?

DOUTRINA ESPÍRITA ou ESPIRITISMO

O que é?

* É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

* “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)

* “O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.” Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)

O que revela

* Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.

* Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

Sua abrangência

* Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

* Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.

Seus ensinos fundamentais

* Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.

* O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.

* Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados.

* No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.

* Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

* O homem é um Espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.

* Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.

* Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

* Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.

* Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento.

* Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.

* Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima; Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.

* As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os imperfeitos nos induzem ao erro.

* Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.

* A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

* O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.

* A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

* A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da existência do Criador.

* A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. é este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.

Fonte: www.tvcei.com

Superioridade da natureza de Jesus

O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como já vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constituí o agente magnético; nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos estes elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se, como conseqüência, de admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural.

Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino. Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres. Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem. Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.

A GÊNESE – ALLAN KARDEC

Atributos da divindade

Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?
“Não; falta-lhe para isso o sentido.”

Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?
“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz idéia mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.

Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar idéia de algumas de Suas perfeições?
“De algumas, sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.”

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos idéia completa de Seus atributos?
“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas idéias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”
- Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
- É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.
- É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
- É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.
- É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.
- É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.

O Livro dos Espíritos – ALLAN KARDEC

Provas da exist

Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e dizer que o nada pôde fazer alguma coisa.

Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?
“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio – não há efeito sem causa.”

O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?
“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento? ”
Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.

Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?
“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.”
Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa.

Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?
“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”
A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Logo, um acaso inteligente já não seria acaso.

Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
Do poder de uma inteligência se julga pelas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma
inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem.

O Livro dos Espíritos – ALLAN KARDEC